
Labô Espetáculo no NORTEA
Fred Nascimento do Grupo Totem
Dentre muitas demonstrações de trabalho e conferências, de variados grupos, tanto do ponto de vista estético, como também do ponto de vista da “gestão” ou “autogestão” e manutenção, tivemos desde grupos independentes, como o OCO, Totem, os Clowns de Shakespeare, o Bagaceira, o Gente-de-Fora-Vem, entre outros, e grupos vinculados a universidades como o Lume (diretamente), e o Magiluth (indiretamente), este em processo de franco crescimento e de busca de seu próprio caminho, de sua poética. Além dos grupos latinos como o Yuyachkani-Peru, o Callejón Del Água-Equador, o Gente de Teatro-México.
Na tarde do segundo dia tivemos a demonstração de trabalho do Labô, dividida em três partes, ou seja, a primeira foi dedicada a um relato da história do grupo e uma breve exposição da base teórica que dá sustentação ao grupo, a segunda consistiu na exibição de vídeos de treinamentos, e por fim uma prática corporal.
O surgimento do grupo se deu em 2002, a partir da experiência “Laboratório-Espetáculo”, por Virgínia Brasil e Murilo Freire, trabalho espetacular de criação, cuja proposta era vivenciar o processo de construção de uma personagem e uma cena, detalhe, totalmente realizado diante do público. Em seguida, o Murilo mencionou seus estudos e experiências vividas enquanto estudante do Paris-8 (França), período em que participou de um grupo que contava com 10 integrantes de 6 nacionalidades, cujo trabalho visava o desenvolvimento técnico do ator, e tinham três linhas de ação: a pesquisa prática, a formação permanente e a criação artística. Desde então, esses princípios guiam Murilo e Virgínia, levando-os a construir um trabalho diferenciado, criando a singularidade do Labô.
Em seguida foi colocada também a influência da Antropologia Teatral, sistematizada por Eugênio Barba, e os princípios da pré-expressividade. Além da pesquisa biomecânica, o funcionamento da vida em movimento, as potencialidades concretas do corpo. Por fim, cita também a Etnocenologia, de matriz francesa, com foco no comportamento humano, que entre outros princípios, vê o corpo e o espaço como uma unidade, princípio que, se transferido para o teatro, pode-se dizer que a cena é a interação do corpo com o espaço, e o ator precisa saber que essa cena faz parte de uma coisa maior. Aqui abro uma janela, essa prática dialoga com a “Pentamusculatura” defendida, aplicada e divulgada pelo Taanteatro de Maura Baiocchi e Wolfgang Pannek. Em seguida Murilo falou de alguns princípios como circularidade, linearidade, equivalência. Princípios aculturáveis e princípios inculturantes. Mas, destacando que, sempre está atento em sistematizar um treinamento que não engesse a criação.
Em seguida assistimos a dois vídeos, um de “dança pessoal”, que trabalha fluxos de energias e movimentos, e outro vídeo focando o trabalho vocal de caixa de ressonância.
Na última parte da demonstração de trabalho, os componentes do Labô convocaram alguns voluntários para participarem de uma vivência com caminhada, exercícios de aquecimento, posição neutra, uma seqüência de exercícios físicos e exercícios inspirados no frevo. Fechando com um exercício de criação de uma cena/imagem por voluntários e um observador que decodifica, interpreta e modifica a cena/imagem.
O Labô deixou claro o seu percurso, a consciência da sua prática laboratorial e a busca da criação de seu idioleto.
O NORTEA nos mostrou, entre outras coisas, que nesses tempos de interculturalidade que vivemos, muitos procedimentos são comuns, se assemelham, se aproximam, mesmo em diferentes grupos, de estéticas e poéticas diversificadas. Como também o FILTE, com espetáculos híbridos, de fronteira, performáticos. Mas isso é outra história.
0 comentários:
Postar um comentário